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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

OLGA KAPATTI!

olga

de Bernardino Matos
Fortaleza, 02/08/09

Olga Kapatti, agora,
vais poder mais calmamente,
versejar eternamente,
perto de Nossa Senhora.

Finalmente a calmaria,
a ausência de tensões,
de dores e apreensões.
em perpétua harmonia.

Creio deves ter lido,
todas as anotações,
registros das aflições,
do seu diário vivido.

Deus tem seu conta corrente,
um balanço detalhado,
contando de cada lado,
o trajeto de cada ente.

Certamente o resultado,
será muito positivo,
o bem foi sempre o motivo,
do teu viver desse lado.

Sendo ,sempre verdadeira,
a leitura dos teus versos,
revela que estão imersos,
na nobreza da videira.

É grande a liquidez,
pois o prato da bondade,
revestido da verdade,
pesa mais que a insensatez.

No céu tudo é transparente,
ninguém precisa falar,
não há o que desculpar,
é um viver ternamente.

E ficamos nós, aqui,
sentindo a tua ausência,
suprindo essa carência,
nos sons que falam de ti.

Essa paz tão aguardada,
que buscamos cada dia,
no caminhar nessa via,
você tem eternizada.

Nossa prece de carinho,
nosso agradecimento,
por seu viver sem lamento,
por seu tão lindo caminho.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

ESSE AMOR SERTANEJO!

sertanejo1

de Bernardino Matos
Fortaleza, 23/07/09

O amor do sertanejo,
nada tem de especial,
quanto ao foco universal,
nasce do mesmo desejo,
busca o mesmo bafejo,
procura a felicidade,
tem a mesma intensidade,
o mesmo calor humano,
aquele ar soberano,
de viver o mesmo ensejo.

O que muda nesse amor,
é a rudez da vivência,
é a marca da carência,
é esse cerco da dor,
esse amargo corredor,
que tem ar de cemitério,
nesse clima deletério,
de fome e melancolia,
mas palco da ousadia,
que exige destemor.

Esse amor é uma goteira,
por onde o carinho pinga,
e tal qual uma restinga,
serve de ponte ou esteira,
é uma planta rasteira,
que o orvalho emoldura,
enobrece a criatura,
que a caatinga embeleza,
e nela o matuto reza,
a prece mais verdadeira.

O camponês simplifica,
seu modo de declarar,
usa a força do olhar,
seu sorriso tudo explica,
seu respeito dignifica,
esse sentimento nobre,
seu vocabulário pobre,
vai direto ao assunto,
quem ama quer ficar junto,
quem ama jamais complica.

O agora é o que importa,
basta um pequeno recanto,
para abrigar esse encanto,
um roçado, uma horta,
o plantio é a porta,
para um presente feliz,
com um suave matiz,
sem ter tanta sutileza,
o amor é a riqueza,
que só carinho comporta.

O namoro é vivido,
no sol que queima a moleira,
no calor de uma roceira,
na tristeza do gemido,
do gado magro e sofrido,
que percorre a terra ardente,
à procura de uma vertente,
para a sede saciar,
um campo para pastar,
nas subidas sem esteira.

Cada beijo carinhoso,
no rosto da sertaneja,
apesar da aspereza,
vem de um coração sedoso,
de alguém que sequioso,
expressa num cheiro ardente,
o amor que a alma sente,
e aquelas mãos calosas,
rudes e sequiosas,
falam de um ser generoso.

Cada cova que a enxada,
abre de forma cadente,
pra receber a semente,
confiante na invernada,
e ao fim de cada jornada,
renasce a esperança,
revigora a confiança,
de um futuro buliçoso,
de um viver caloroso,
que aqueça a morada.

No gingado do forró,
que num suave trejeito,
no coração abre um eito,
e o canto da curió,
vem desatar cada nó,
que comprime a garganta,
e a poeira que levanta,
emoldura esse cenário,
adocica esse calvário,
ele e ela são um só.

E assim cada manhã,
que clareia a caatinga,
que faz um gole de pinga,
ou o canto da acauã,
dizer que não será vã,
a busca de um futuro,
de um conviver mais seguro,
que nosso sertão rasteje,
que essa brisa bafeje,
essa caminhada sã.

É esse amor forjado,
na força dessa labuta,
no calos dessa disputa,
é esse amor calejado,
de carinho esbanjado,
que devolve a dignidade,
a essa humanidade,
de tanta paz sequiosa,
que no brotar de uma rosa,
toda maldade refuta.

Aqui não tem chá das quantas,
nem noivado preparado,
cada dia adiado,
cheio de promessas tantas,
de almoços e de jantas,
é a solidariedade,
a força da lealdade,
de um amor sem trambiques,
de carinhosos repiques,
de caminhadas tão santas.

Quisera que nosso amor,
tivesse essa pureza,
que florisse na rudeza,
de um camponês sofredor,
forte e batalhador,
sem promessas e floreios,
sem ciscados e rodeios,
no sofrimento nascido,
na dignidade crescido,
de um eterno sonhador.

EXISTE SEMPRE UMA PORTA!

porta

de Bernardino Matos

A gente só perde tudo.
quando perde a esperança,
em si não tem confiança,
e, assim,sem conteúdo,
fica, cego, surdo e mudo,
caminha sem referência,
tonteia sem aderência,
se esquiva do carinho,
e se sente tão sozinho,
sem proteção, sem escudo.

Apesar de muito escuro,
esse beco tem saída,
pois não importa a ferida,
nem onde fica o monturo,
existe um porto seguro,
onde se pode atracar,
e o barco não soçobrar,
não improrta quão imundo,
seja esse poço profundo,
Deus nos tira desse apuro.

Mesmo em completo abandono,
e por todos desdenhado,
sem espaço no mercado,
ninguém da vida é o dono,
só Deus senta nesse trono,
basta que com humildade,
vasculhe sua verdade,
vá a raiz do problema,
pois não existe dilema,
que não tenha seu abono.

Cada um tem sua trilha,
o seu tipo de pegada,
o degrau de sua escada,
a sua própria cartilha,
uma luz que sempre brilha,
mesmo uma réstea de vela,
não importa a procela,
ela jamais se apaga,
há sempre alguém que afaga,
e dessa dor compartilha.

Não importa sua crença,
se teólogo ou ateu,
faça como Bartimeu,
mesmo cego de nascença,
não aceitou a sentença,
de viver na escuridão,
no meio da multidão,
depois de um longo vagar,
de um árduo caminhar,
não sucumbiu à descrença.

Esperou a vida inteira,
só recebeu compaixão,
mas venceu a tentação,
de aceitar a cegueira,
como uma grande coleira,
puxada pelo destino,
que um gigantesco pino,
preso sempre o manteria,
que jamais conseguiria,
viver de outra maneira.

Todo açude tem comporta,
toda cerca tem porteira,
até no mar Deus pôs beira,
o que realmente importa,
é que existe sempre porta,
tudo tem seu tempo certo,
Deus sempre estará por perto,
quando a vida tudo nega,
Deus no colo nos carrega,
até mesmo em linha torta.

É de suma importância.
que sempre esteja antenado,
para ouvir cada recado,
não importa a distância,
a fé exige constância,
quando nossa alma fraqueja,
não importa onde esteja,
ajoelhe-se e reze,
o amor de Deus sempre preze,
aceite-o sem relutância.

Frequentemente nos vemos,
totalmente derrotados,
pela vida massacrados,
em nossas mãos nada temos,
num barco, num mar, sem remos,
e aparece um mensageiro,
que nos aponta um roteiro,
um ser por Deus enviado,
e por Ele abençoado,
e ,de repente, vencemos.