quarta-feira, 5 de agosto de 2009

OLGA KAPATTI!

olga

de Bernardino Matos
Fortaleza, 02/08/09

Olga Kapatti, agora,
vais poder mais calmamente,
versejar eternamente,
perto de Nossa Senhora.

Finalmente a calmaria,
a ausência de tensões,
de dores e apreensões.
em perpétua harmonia.

Creio deves ter lido,
todas as anotações,
registros das aflições,
do seu diário vivido.

Deus tem seu conta corrente,
um balanço detalhado,
contando de cada lado,
o trajeto de cada ente.

Certamente o resultado,
será muito positivo,
o bem foi sempre o motivo,
do teu viver desse lado.

Sendo ,sempre verdadeira,
a leitura dos teus versos,
revela que estão imersos,
na nobreza da videira.

É grande a liquidez,
pois o prato da bondade,
revestido da verdade,
pesa mais que a insensatez.

No céu tudo é transparente,
ninguém precisa falar,
não há o que desculpar,
é um viver ternamente.

E ficamos nós, aqui,
sentindo a tua ausência,
suprindo essa carência,
nos sons que falam de ti.

Essa paz tão aguardada,
que buscamos cada dia,
no caminhar nessa via,
você tem eternizada.

Nossa prece de carinho,
nosso agradecimento,
por seu viver sem lamento,
por seu tão lindo caminho.

POR QUÊ?

Photobucket

Para minha irmã Olga Kapatti

de Mary Trujillo
27.07.2009

Tua partida inesperada deixou-me tão desarvorada...
Como caminhar agora sem tua doce companhia...
Sem teu afeto, teu riso de menina, irmã amada?
Sei que um tempo muito vazio de mim se avizinha.

Teu carinho... Era o meu sol do meio-dia...
Eras como o alegre chilrear dos pássaros,
A preguiçosa madorna da dourada pradaria...
O mistério da bela noite deitando nos telhados.

O encontro fraterno e abençoado de almas afins...
Festejando a vida em mil estripulias e gargalhadas,
Tecendo sonhos e planos que jamais teriam fim...
E cintilavam como mil estrelas nas madrugadas...


Por que... Foste embora sem me dizer adeus?
Fiquei a esperar um bilhete teu... Uma resposta;
Nem o nosso abraço prometido aconteceu...
Só a cruel e dolorosa saudade foi-me imposta!


Vá então, irmã minha... Vá, irmã adorada...
Que o céu seja teu refrigério e o "Pai" teu protetor.
Um dia eu aí estarei... Aguarda-me na chegada...
Para o definitivo abraço, repleto de amizade e amor!

Respeite os direitos autorais

FOTOGRAFIA EM PRETO E BRANCO

Photobucket

de Marilena Trujillo
Mary Trujillo - 30.07.2009

Minha fotografia está em preto e branco,
Como cinzenta e sem graça está a vida...
Tempo vão, tempo à beira de um barranco,
Traições, Guerras, sangue, era bandida!
Porões escuros, ratos, perdição humana,
Chagas na alma exaurida, na sociedade!
Monstros covardes montando campana...
Crimes hediondos, reino da calamidade!
Agressões, porradas...
Mães perversas...
Filhos infames.
Assassinos monstruosos!
Famílias desfeitas, pelo mundo dispersas,
Vem de cima o mau exemplo dos ardilosos!
Que mundo é este descolorido e cinéreo?
Com tantas lágrimas amargas para engolir,
Sem devaneios, sem sonhos, sem mistério,
Sem motivos para continuar...
Viver... Sorrir!...
O presente é apenas uma cortina branca,
O futuro, um labirinto negro, assustador!
Dependurado num frágil fio de esperança.
Prestes a arrebentar em meio a tanta dor!
Eis a minha súplica, meu brado, meu clamor...
Só há uma solução para tudo, amor, amor!!!

Respeite os direitos autorais

Canto Mágico de Marilena Trujillo
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Recanto das Letras
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Academia Virtual
Sala de Poetas & Escritores
http://www.avspe.eti.br/

quarta-feira, 29 de julho de 2009

RIMANDO A POESIA

rimando

de Marcial Salaverry

É preciso saber dosar a emoção,
para não magoar o coração...
Entender o significado
de um verso apaixonado,
que revela um sentimento poetal,
ou uma poesia sentimental...
Nas linhas de um poema,
é esse o real dilema,
o poeta revela o que sua alma lhe diz,
e que nem sempre condiz
com o que lhe diz o sentimento...
Pode sorrir vivendo um tormento,
como pode chorar num momento de alegria,
sem sair de sua fantasia...
Pode falar de amor
mesmo com a alma cheia de dor...
Dentro da realidade,
o poeta vive na virtualidade...
Precisa seguir o fio da inspiração,
poetando conforme sua emoção...
E então, para com a vida não chorar,
põe-se alegre a poetar...

ESSE AMOR SERTANEJO!

sertanejo1

de Bernardino Matos
Fortaleza, 23/07/09

O amor do sertanejo,
nada tem de especial,
quanto ao foco universal,
nasce do mesmo desejo,
busca o mesmo bafejo,
procura a felicidade,
tem a mesma intensidade,
o mesmo calor humano,
aquele ar soberano,
de viver o mesmo ensejo.

O que muda nesse amor,
é a rudez da vivência,
é a marca da carência,
é esse cerco da dor,
esse amargo corredor,
que tem ar de cemitério,
nesse clima deletério,
de fome e melancolia,
mas palco da ousadia,
que exige destemor.

Esse amor é uma goteira,
por onde o carinho pinga,
e tal qual uma restinga,
serve de ponte ou esteira,
é uma planta rasteira,
que o orvalho emoldura,
enobrece a criatura,
que a caatinga embeleza,
e nela o matuto reza,
a prece mais verdadeira.

O camponês simplifica,
seu modo de declarar,
usa a força do olhar,
seu sorriso tudo explica,
seu respeito dignifica,
esse sentimento nobre,
seu vocabulário pobre,
vai direto ao assunto,
quem ama quer ficar junto,
quem ama jamais complica.

O agora é o que importa,
basta um pequeno recanto,
para abrigar esse encanto,
um roçado, uma horta,
o plantio é a porta,
para um presente feliz,
com um suave matiz,
sem ter tanta sutileza,
o amor é a riqueza,
que só carinho comporta.

O namoro é vivido,
no sol que queima a moleira,
no calor de uma roceira,
na tristeza do gemido,
do gado magro e sofrido,
que percorre a terra ardente,
à procura de uma vertente,
para a sede saciar,
um campo para pastar,
nas subidas sem esteira.

Cada beijo carinhoso,
no rosto da sertaneja,
apesar da aspereza,
vem de um coração sedoso,
de alguém que sequioso,
expressa num cheiro ardente,
o amor que a alma sente,
e aquelas mãos calosas,
rudes e sequiosas,
falam de um ser generoso.

Cada cova que a enxada,
abre de forma cadente,
pra receber a semente,
confiante na invernada,
e ao fim de cada jornada,
renasce a esperança,
revigora a confiança,
de um futuro buliçoso,
de um viver caloroso,
que aqueça a morada.

No gingado do forró,
que num suave trejeito,
no coração abre um eito,
e o canto da curió,
vem desatar cada nó,
que comprime a garganta,
e a poeira que levanta,
emoldura esse cenário,
adocica esse calvário,
ele e ela são um só.

E assim cada manhã,
que clareia a caatinga,
que faz um gole de pinga,
ou o canto da acauã,
dizer que não será vã,
a busca de um futuro,
de um conviver mais seguro,
que nosso sertão rasteje,
que essa brisa bafeje,
essa caminhada sã.

É esse amor forjado,
na força dessa labuta,
no calos dessa disputa,
é esse amor calejado,
de carinho esbanjado,
que devolve a dignidade,
a essa humanidade,
de tanta paz sequiosa,
que no brotar de uma rosa,
toda maldade refuta.

Aqui não tem chá das quantas,
nem noivado preparado,
cada dia adiado,
cheio de promessas tantas,
de almoços e de jantas,
é a solidariedade,
a força da lealdade,
de um amor sem trambiques,
de carinhosos repiques,
de caminhadas tão santas.

Quisera que nosso amor,
tivesse essa pureza,
que florisse na rudeza,
de um camponês sofredor,
forte e batalhador,
sem promessas e floreios,
sem ciscados e rodeios,
no sofrimento nascido,
na dignidade crescido,
de um eterno sonhador.